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Galera, tudo bem com vocês?

Decidimos abrir um espaço para os aventureiros dividirem suas histórias aqui com vocês que nos acompanham! Para começar escolhemos o projeto do @4pes4patas, os caras são super gente fina e estão viajando o mundo neste momento, dá uma olhadinha na jornada que eles estão trilhando, é de muita inspiração.

“Nossa viagem começou como toda boa viagem deveria começar… com um sonho.
Ao ser questionado sobre o início da viagem, Bruno fica atônito: “desde a minha primeira infância, eu não era adepto das brincadeiras ortodoxas… não brincava de bola. Ia pra mata e brincava de explorar, de sobrevivência, de construir abrigos e utensílios de camping”… com grande curiosidade e instinto aventureiro, muitas viagens foram realizadas durante a adolescência, sendo a maioria a procura de ondas boas para surfar. Em uma dessas viagens, descobriu que queria viajar por aí, sem destino, sem tempo pra voltar, simplesmente por viajar. Mas a vida não é exatamente como queremos… e após o retorno dessa curta viagem, houve um grande preparo e planejamento, faculdade de medicina, especialização, muito trabalho, guardando dinheiro e aprendendo sobre como poderia realizar esse projeto… “não foi fácil, nem rápido, cheguei a perder minha saúde mental e física trabalhando mais do que devia, mas principalmente por falta de planejamento e informação”.
Perto de realizar a viagem de volta ao mundo, veio a pequena Tchuba, que mais parecia um filhote de urso (sua história será contado logo mais!), e os planos tiveram que mudar drasticamente. Viajar por aí com cachorro, ainda mais um desse porte e dessa raça não parecia simples. Foi um período igualmente difícil, pois havia a apreensão de que o sonho não fosse possível. Após grandes e exaustivas pesquisas, a ideia foi tomando forma e se tornando concreta.
Nessa época, Murilo entrou na história com participação fundamental, tornando algo complicado em algo tangível, saindo do papel, fortalecendo a frágil coragem da época.
O medo sempre esteve presente. Principalmente depois que a Tchuba foi envolvida. E se algo acontecesse com ela? Ela iria gostar de viajar? Iria enjoar no carro? Iria poder entrar nos lugares, nos parques? Iria brigar? Ela sofreria preconceito pela raça? Enfim.. eram inúmeras perguntas que não teríamos respostas tão cedo.
Como lidar com medo nessa hora? Ora, o remédio mais antigo de todos: ação! Chegando na estrada você vê que não era nada daquilo, o medo quase sempre é injustificável.
Para Murilo, a viagem começou de supetão. Dotado de alma livre e aventureira, sempre teve como grande sonho de sua vida desbravar todos os cantos o mundo com suas variadas culturas. Porém, nunca acreditou que pudesse realiza-lo, principalmente da forma como aconteceu, com uma volta ao mundo. Sendo assim, como a maioria das pessoas, nunca se organizou para concretizá-lo. Em um fim de semana aleatório, quando estava tomando uma cerveja com seu amigo Bruno, teve uma surpresa quando este, como quem não quer nada, tira da cartola essa magnifica e intimidante proposta de dar uma volta ao mundo de motorhome. Murilo estava recém formado em engenharia de produção, depois de ter trocado de curso superior 3 vezes, passando por administração, psicologia e teatro. Nesse meio tempo, também tinha se tornando fotografo amador enquanto estudava engenharia nos EUA (é, eu sei… nada se encaixa… o cara é estranho… confuso… gosta de muita coisa diferente ao mesmo tempo… mas é boa gente o rapaz rs). E agora?! Precisava tomar uma decisão. Murilo estava diante da oportunidade de realização do sonho de sua vida e se viu envolto em medos e inseguranças por achar que era o momento de focar em sua carreira profissional. Recorreu a família e amigos próximos para conselhos, visando escutar todos os possíveis pontos de vista. Acabou por olhar para dentro e escutar a si mesmo. Como suas grandes paixões sempre foram o contato com a natureza, esportes radicais, musica e fotografia, viu que a viagem poderia lhe proporcionar tudo isso. Na aventura, estaria desbravando o mundo, praticando esportes radicais e teria acesso a um acervo imensurável de lugares cênicos para fotografar. Isso tudo, é claro, sempre acompanhado de uma trilha sonora fina que ficava a cabo da dupla. Por isso, entendeu que cresceria muito mais com a viagem e suas experiências, voltando mais preparado para dar continuidade a sua futura vida. Sendo assim, jogou toda sua rotina para o alto e partiu para esse experiência única de vida.
Para Tchuba, a filha do Bruno, uma Rottweiler bem levada, e agora companheira inseparável da dupla e o tempero que faltava na trip, a viagem começou sem ela saber. Nascida em Jundiaí, essa pequena ursa veio para alegrar nossas vidas. Extremamente insubmissa e cheia de personalidade, simplesmente adora qualquer companhia humana e fica fascinada com os animais. Ela quer sempre – digo sempre mesmo – estar perto da gente. Praticamente tudo na viagem foi readaptado para comportar a pequena gigante; uma nova rotina de passeios, um trailer maior, roupas especiais, botas, comida e até a nossa rota.. tudo teve que ser pensado para o conforto e bem estar dela. Mas jamais houve arrependimentos! A presença dela é fundamental, torna tudo mais cheio de vida e Bruno jamais pensaria em deixa-la no Brasil enquanto viaja… “não seria justo com ela, nessa curta vida, não aproveitar essa oportunidade”.. e ela tem aproveitado com fervor!
O objetivo da viagem é simples e puro: ficar do lado de fora de casa, curtir a natureza, resgatar nossos instintos, lembrar que já fomos crianças, meditar, estar com nós mesmos, viver a vida com calma, sem a correria das grandes cidades. O plano inicial era viajar no anonimato, porém, como muitos amigos e familiares acharam fantástica a viagem, acabaram nos convencendo a fazer um projeto sobre ela. Assim surgiu o 4 Pés 4 Patas.
Uma volta ao mundo é uma empreitada de grande porte que demanda muita organização prévia para evitar surpresas desagradáveis no caminho. Mas mesmo com toda organização, acabamos nos deparando com diversos infortúnios ao longo do caminho. Os primeiros meses foram de constantes batalhas que nos fizeram crescer e adquirir um excelente know how para evitar futuros eventos negativos. Ao final da viagem, iremos compartilhar todas essas informações já mastigadas com o público, para que não passem pelas mesmas dificuldades. Mas agora vamos falar das inúmeras alegrias, que estiveram sempre presentes nesta aventura!
Optamos por iniciar a jornada na Florida e tivemos alguns motivos que justificavam essa escolha. O principal era para minimizar o tempo que a Tchuba ficaria dentro do avião. Sabíamos que não é uma viagem fácil nem confortável para a nossa mascote. Bruno, paizão, provavelmente sofreu mais que a Tchuba com a situação; mas não tínhamos saída.
Também soubemos que a Florida era um bom lugar para a compra do RV (recreational vehicule). Lá adquirimos, nas pressas, um RV, grande demais para a viagem (só descobrimos isso bem depois…) e que foi um gasto excessivo e desnecessário. Tivemos problemas com os pneus, que na parte interna estavam cheios de bolhas e um deles explodiu na estrada. Optamos por trocar por um carro e um trailer. Posteriormente esse carro também era fraco demais (e ainda perguntamos para dois mecânicos) e teve o radiador destruído. Daí chegamos na nossa atual combinação, um carro mais forte e um trailer. Mas aí, o gasto já havia ultrapassado toda a cota.
No caminho, vimos as paisagens fantásticas da Florida, passamos pelo pântanos do Alabama, visitamos a charmosa cidade de New Orleans… mas estávamos interessados mesmo nas montanhas. Queríamos algo novo. E de surpresa, no Novo México, por uma dica de um local, chegamos a uma estrada bem vazia, a US64, repleta de neve, e nos demos conta do por que estávamos ali. Depois de tanto problema, uma recompensa estupenda… um céu repleto de estrelas, Tchuba extasiada, paz e solitude… enfim.
Nossa viagem havia começado. Visitamos lugares incríveis, sempre procurando lugares vazios, e conseguimos achar alguns. Mesmo nos EUA, cheio de regras, podíamos viajar livres em dados momentos. A exceção fica nos parques nacionais. São lugares lindos, mas que são cheios de regras para preservação da vida selvagem. Existem restrições, mas conseguimos entrar e conhecer os parques que queríamos, como o lindo Yellowstone, Yosemite, Bryce Canyon, Grand Canyon, Grand Teton, Zion, etc.
Ainda assim, a aventura morava mesmo nas florestas, lugares negligenciados pela massa turista e onde podíamos curtir a sensação de tempo parado que o silêncio proporciona.
Seguimos para Las Vegas, um pólo urbano. Apenas por dois dias, já que para quem estava no mato, aquilo era assustador!
Depois passamos no Death Valley e rumamos para Los Angeles, para renovação do passaporte italiano do Bruno. Os dois tem dupla cidadania, e isso promete facilitar alguma coisa no processo burocrático.
De Los Angeles fomos para São Francisco, onde aguardamos os documentos chegarem e atualmente estamos na belíssima região do Oregon e Washington, onde imponentes montanhas mantém neve mesmo no auge do verão. Nos próximos dias o plano será de entrar no Canadá e chegar ao esperado Alaska. E a viagem está apenas começando!
O passo seguinte, após o desbravamento da América do Norte, é ir para a Europa. Começaremos por Portugal por ser no extremo oeste europeu, assim Tchuba ficaria menos tempo em voo e começaríamos por uma ponta, rumando leste. Pretendemos conhecer todos os países do continente com excessão das ilhas. Infelizmente nelas, existem leis de preservação do ecossistema, que obrigariam a Tchuba a ficar em quarentena, trancada por algum tempo. Não conseguiríamos aceitar isso.
Apó a Europa, a ideia é entrar na Rússia, percorrendo todo o País pela rodovia transiberiana, até Vladivostok.
Mudanças e acréscimos no trajeto podem surgir ao longo do caminho, a medida que novas portas se abram para o trio, que também gostaria de conhecer a China e explorar um pouco mais da Ásia.
Para eles, quanto mais viagem melhor, então aguardem muitas novas aventuras que ainda estão por vir!”

BREVE BIOGRAFIA

Bruno Lamoglia, 32 anos, nascido no Rio de Janeiro, no pacato bairro do Cosme Velho, é médico, psiquiatra. Tem alma de explorador -brincava de sobrevivência nas florestas quando criança. É apaixonado por neve, viagens longas, acampamento e esportes radicais. Cansado da rotina e do caos urbano, Bruno decidiu buscar novas experiências pelo mundo. 4Pés 4Patas será para Bruno a representação de um estilo de vida que o satisfaça.
Murilo Teldeschi, 28 anos, nascido em Botafogo, é engenheiro e fotógrafo. Esteve em contato com a água desde que nasceu, competindo profissionalmente na natação até a adolescência. Logo descobriu o surf e o skate. Também trabalhou como modelo comercial e no teatro. Em busca de um novo rumo para sua vida profissional, enxerga em 4Pés 4Patas uma nova motivação: aprimorar sua fotografia e se tornar um filmmaker.

 

 

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